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Todo ciclo deixa sementes ...


Escrever este texto não é simples, mas é sereno.

Depois de quase 30 anos de atuação como fisioterapeuta materno-infantil, acompanhando gestações, nascimentos e o delicado tempo do puerpério, escolho encerrar oficialmente meus serviços profissionais no Gestar Bem.



Não há rompimento brusco, nem tristeza dramática, só uma escolha consciente.

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Foram três décadas de escuta atenta, mãos presentes, olhares cuidadosos.

Três décadas entrando em casas, histórias e intimidades num dos momentos mais intensos e transformadores da vida de uma família. Sou profundamente grata a cada mulher, cada bebê, cada parceiro, cada família que confiou a mim esse tempo tão sensível.

Levo comigo muito mais do que ensinei — levo tudo o que aprendi.

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Ao longo desses anos, sempre fiz uma escolha muito clara: não trabalhar a partir do medo. Nunca acreditei em abordagens que fragilizam mulheres para depois vender soluções. Nunca foi "minha praia" usar o terror, a culpa ou a ameaça como estratégia de cuidado ou comunicação.

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E, com o tempo, ficou evidente que esse posicionamento tem um custo. Num cenário em que o marketing do medo performa melhor, quem fala de vínculo, autonomia, escuta e processo acaba, muitas vezes, sendo engolido pelo algoritmo.

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Além disso, venho observando algo que me inquieta profundamente: uma mudança no modo como lidamos com as dificuldades. Cada vez mais, percebo uma busca não por caminhos possíveis de solução, mas apenas por "lugar pra reclamar"- a validação do sofrimento e permanência no problema. E isso também não conversa com quem eu sou, com a profissional que fui e com a mulher que me tornei.

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Encerrar este ciclo é, portanto, um gesto de coerência !

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O Gestar Bem enquanto serviço se encerra, e o perfil @gestar.bem no Instagram ficará inativo. Mas este blog permanece vivo — e talvez ainda mais verdadeiro.

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A partir daqui, ele passa a acolher outros assuntos que fazem parte da minha vida hoje: minhas leituras, passeios e viagens, receitas que contam histórias, reflexões sobre maternidade e, especialmente, minha experiência como mãe de uma jovem AHSD.

Um espaço que dialoga com o que já compartilho no meu perfil pessoal, @aki.akola, e que integra quem sou inteira — não apenas um recorte profissional.

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Continuo acreditando no cuidado. Continuo acreditando na potência das mulheres, das famílias, das relações construídas com tempo e presença. Apenas escolho não permanecer em uma dinâmica que já não faz sentido para mim.

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Todo ciclo que se encerra deixa sementes....

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Que as que foram plantadas ao longo desses anos sigam florescendo — nas famílias que acompanhei e também em mim.

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Com gratidão e inteireza,

Adriana

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